Dirigido por: Josh Trank

Escrito por:  Simon Kinberg, Jeremy Slater e Josh Trank.

Elenco: Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan, Jamie Bell, Toby Kebbell, Reg E. Cathey, Tim Blake Nelson, Dan Castellaneta.

Sinopse: Quatro adolescentes são conhecidos pela inteligência e pelas dificuldades de inserção social. Juntos, são enviados a uma missão perigosa em uma dimensão alternativa. Quando os planos falham, eles retornam à Terra com sérias alterações corporais. Munidos desses poderes especiais, eles se tornam o Senhor Fantástico (Miles Teller), a Mulher Invisível (Kate Mara), o Tocha Humana (Michael B. Jordan) e o Coisa (Jamie Bell). O grupo se une para proteger a humanidade do ataque do Doutor Destino (Toby Kebbell).

Análise: O novo filme do Quarteto-Fantástico vem com uma proposta interessante e inovadora em relação aos seus antecessores, e para ser honesto, inova e bastante, mas para pior, fazendo eu rever meus conceitos sobre o filme de 2005 (ironia).

Aqui o roteiro de Kinberg, Slater e Trank, é um completo desastre, até que de inicio o filme funciona, com uma pegada bastante interessante de ficção cientifica, algo que é bem explorado no filme, mas no final das contas, não leva a lugar algum e se arrasta até metade do filme, e quando percebemos já estamos no final.

E ai que está o “pior problema”, um roteiro cinematográfico é composto por uma estrutura básica de primeiro, segundo e terceiro ato, cada um com seus “pontos de virada”, ou aquilo que uma criança em alfabetização conhece por começo, meio e fim.

O roteiro parece não ter um “meio”, ele realmente apresenta os personagens, os desenvolve da pior forma possível, e quando nos damos conta já chegamos ao final, sem aquele momento “chave” básico, onde o espectador espera ser surpreendido com um problema a ser resolvido pelos protagonistas, e isso é um problema muito grave para uma narrativa, mesmo ela sendo ruim.

Já a relação entre os personagens é pessimamente mal trabalhada, como por exemplo, a Mulher Invisível e o Tocha Humana, que são irmãos, mas nem parecem, e o difícil é saber se essa relação de irmãos é problemática ou não, já que isso não fica claro em momento algum, ou mesmo a relação entre o Senhor Fantástico e o Coisa, que são amigos desde a infância, mas em certos momentos parecem ser apenas meros colegas de trabalho.

E nem mesmo o melhor elenco salva o filme, Miles Teller que tem cada vez mais provado seu potencial como ator, é frio e sem carisma, Kate Mara e Jamie Bell excelentes atores são desperdiçados, e Michael B. Jordan ainda tenta dar o seu melhor, é visível isso, mas acaba se tornando um personagem chato e arrogante, diferente do Tocha do Chris Evans que ao menos era amigável.

Jamie Bell assim como o Coisa de Michael Chiklis (que é um excelente ator, vejam a série The Shield), traz um personagem que tem de lidar com sua aparência física, mas nem isso é aproveitado neste novo filme, e Bell acaba sendo ofuscado pelo terrível design de produção, que oculta as expressões do ator, fazendo com que o Coisa seja um pedaço de pedra com voz.

Sim, não basta errar na narrativa, mas também na concepção visual do filme, aqui o trabalho de Molly Hughes e Chris Seagers no design de produção é visivelmente ruim, e até uma animação barata parece ser mais real do que o universo deste filme.

É perceptível os erros de CGI, atente-se ao macaco que é enviado como cobaia, ou a outra dimensão que parece ser um universo de desenho animado só que bem sombrio, com a fotografia de Matthew Jensen sempre escurecida, alias isso não é para criar uma atmosfera sombria, mas sim fazer algo que Hollywood já usa para “facilitar” e mascarar o trabalho com efeitos especiais.

Quarteto Fantastico

Toby Kebbell como Dr. Doom, no famoso Chroma Key.

O vilão do filme, ou melhor, os vilões do filme, já que temos o personagem de Tim Blake Nelson como Dr. Allen e Toby Kebbell como o Dr. Doom, também não contribuem em nada, Allen é um personagem que entra em cena e sai sem fazer diferença alguma, já Dr. Doom, é pessimamente desenvolvido, e não tem motivação alguma, simplesmente tem um grande poder, uma ideia maluca, que é apresentada no inicio, como uma revolta com o sistema politico do nosso mundo, e ponto.

Já a direção do novato Josh Trank, é algo que ainda tem seus pequenos méritos, mas infelizmente é problemática. Trank, desenvolve a ideia inicial do filme como uma ficção cientifica muito bem, e até faz algumas cenas bem interessantes, como por exemplo, mostrando, os personagens aterrorizados com os seus poderes, sendo algo até perturbador.

Mas quando Trank resolve fazer ação, ele é um desastre, se neste ano George Miller (Mad Max) usou de poucos cortes e Joss Whedon (Vingadores 2) abusou deles, Trank parece ficar indeciso, demostrando que realmente não sabe fazer sequer um planejamento básico de filmagem, deixando a ação do filme completamente confusa e não contribuindo em nada com a narrativa.

Não precisa ter uma história complexa para se ter um bom filme, mas é preciso ao menos uma boa estrutura narrativa, até mesmo para um filme ruim. Com isso Quarteto-Fantástico não é um filme ruim, e sim é um péssimo filme, um desastre por completo.

Josh Trank na direção de Quarteto Fantástico

Josh Trank na direção de Quarteto Fantástico

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