Criada por Nic Pizzolatto a série True Detective estreou em 2014 utilizando de um formato antológico, onde cada temporada conta uma história diferente. Na primeira temporada os detetives Rustin Spencer “Rust” Cohle (Matthew McConaughey) e Martin Eric “Marty” Hart (Woody Harrelson), que atuam de maneira sensacional na série, buscam um assassino em série no estado de Louisiana.

A direção dos oito episódios é de Cary Joji Fukunaga, que trabalha muito bem com o material escrito por Nic e consegue extrair o melhor do elenco.

O ponto que atento neste texto é a linguagem visual usada por Fukunaga que pode revelar acontecimentos que ainda vão acontecer na série, e também trabalhar a personalidade dos dois personagens principais, Marty e Rust.

Atenção esse texto pode conter spoilers do sétimo e oitavo (último) episódio da série.

Vamos lá então.

Antes de irmos para os dois últimos episódios atento a um ponto interessante que define bem a personalidade de cada um. A série que tem uma estrutura não linear, em dois momentos, um que acompanha toda a investigação dos dois policiais, e outro que sucede toda a investigação, onde ambos estão sendo interrogadas, este segundo que se passa em um único momento da narrativa durante a maior parte de série.

Neste primeiro quadro vemos Rust sendo interrogado, no passado sua única filha pequena morreu, evento esse que marcou sua vida, ele de certa forma parou no tempo, e a única que o mantém com vivo e com um rumo na vida é o trabalho como policial.

Essa personalidade é bem transmitida pelo ator e pelo roteiro, mas também pelo design de produção e cenografia presente nesta cena. Veja as caixas empilhadas, provavelmente arquivos que representam seu passado do qual ele não consegue se esquecer, e a maquina de datilografia e computador velho, onde percebemos que é um personagem que parou no tempo e está fortemente ligado a suas cicatrizes do passado.

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Já aqui, Marty está sendo interrogado, e o fundo transmite a sensação de que ele está preso, mas em uma prisão abstrata, onde ele está preso em suas crenças religiosas e filosóficas, e de certa forma não consegue se libertar dela sendo um homem de cabeça dura, mesmo sendo inteligente, que perde sua família e por fim acaba se perdendo dentro de si mesmo.

Veja que atrás das persianas, há um escritório policial, e de forma subjetiva um mundo, onde ele tem de se libertar e ter uma visão melhor do mundo, como por exemplo, reconhecer que tem uma família bela e estruturada.

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Veja que não foi uma escolha aleatória, os dois foram interrogados na mesma sala, mas em posições diferentes.

Agora chamo atenção para o sétimo e penúltimo episódio da série, onde Marty e Rust se voltam a se reunir novamente, nesta cena específica Rust leva Marty para um bar, onde acaba por convencer o ex-parceiro a terminar a investigação que começaram anos atrás.

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Aqui vemos as janelas fechadas, percebemos que Marty ainda não se libertou de suas crenças, mesmo tendo passado por muitas coisas, ele ainda continua firme.

Perceba que a mesa em que ambos estão é vermelha, mostrando o quão perigoso esse reencontro dos dois pode ser.

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Já aqui, o fundo acaba por indicar o futuro de Rust, além da mesa vermelha, há um alvo atrás dele, bem do lado direito do quadro, indicando o perigo que Rust corre ao continuar no caso, mesmo não sendo mais policial.

Confesso que nesta cena eu me desapontei, pois pensei e tive quase certeza que Rust morreria no final.

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Aqui já no oitavo e último episódio vemos que alvo não estava lá à toa, Rust realmente acaba se ferindo, e então não sabemos se ele morreu ou não, fato que só se revela ao final do episódio.

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Cada elemento da série, foi feito com o maior capricho possível, desde a direção até a direção de arte, alias que merecem méritos por esse trabalho, Cynthia Anne Slagter pela cenografia, Alex DiGerlando pelo design de produção, e toda a equipe envolvida no projeto.

Tudo que está presente em uma cena de certa forma tem uma função, seja ela apenas ilustrar algo ou transmitir uma mensagem sobre o enredo e os personagens, e tudo isso vai de interpretação pessoal de cada um.

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